quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Soneto da separação


'De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
     
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
     
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
     
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.'
     
{Vinícius de Moraes}

7 comentários:

neojoy disse...

"De repente". O mundo gira assim.

Dany disse...

Eu acho lindo esse texto, mesmo que ele tenha um "fundo" triste!
Um feliz 2009 pra vc!
bjs

Dani disse...

Liiindo post!
Adorei (:

Thiago disse...

Sincero demais!

Adrielly Soares disse...

Não acho que as separações venham tão de repente.
Tem sempre as anunciações que nós cegos insistimos em não ver.

Maria Fernanda disse...

De repente, não mais que de repente.

Mary West disse...

Uma doçura. :)