segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Papel em branco

Um papel em branco
É tudo o que eu preciso.
É onde tudo começa.
Nele eu escrevo o que quero,
Não tenho que mostrar para ninguém,
Só deixar fluir, desabafar, desabar...
Não precisa ter linhas,
Deixo que o movimento do lápis siga seu curso,
Seja em retas ou curvas.
Nem precisa ser decorado,
Deixo que a beleza das palavras desenhem
Todo o sentimento.
Nele eu demonstro alegrias e tristezas,
Perdas e ganhos, conquistas e desamores...
Uso isso como válvula de escape,
Quando já não consigo reter as lágrimas
Ou conter as emoções.
Então escrevo para me distrair ou tentar esquecer.
Nem sempre as palavras ficam guardadas.
Eu simplesmente arranco a folha do caderno,
Amasso e jogo fora.
Ele já cumpriu sua missão.
Já me sinto melhor!
         
{Tanmi}
         
'À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? Que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.'
         
{Clarice Lispector}

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Sobre escolhas e barreiras


Sente-se em eterna concorrência consigo mesma (...)
         
Entre a vontade e a falta de coragem
Entre o fazer e o cansaço
Entre o sorrir ou fechar a cara
Entre o sentir ou fingir que não sente
Entre a lembrança ou o esquecimento
Entre o sonho e a realidade
Entre falar ou ficar em silêncio
Entre o querer e o correr atrás
Entre as pessoas e o isolamento
Entre brigar ou a paz de espírito
Entre planejar ou viver o momento
Entre a amizade e a desconfiança
Entre o certo ou a incerteza
Entre o agora e a espera (...)
         
Não existe pior barreira ou concorrente mais forte,
Você é o seu maior obstáculo!
                 
{Tanmi}

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Fuga

Alçar vôos mais altos. É o que eu quero. Não tenho problemas dos quais fugir, desavenças e desamores já não importam. Não vou lamentar arrependimentos ou olhar para trás. Vou seguir em frente sem pensar, ou só pensar no que virá. Sonhos embutidos em pensamentos, ansiosos em ser realizados. Há muito tempo tenho estado impaciente, inquieta. Cansada da rotina, da mesmice, do igual. Eu quero um algo a mais. Às vezes chego ter raiva de mim mesma. Raiva por me deixar relaxar, por não agir, por continuar um ciclo que já devia ter sido encerrado. Minha mente vai mais além (...) Além desse lugar, dessa vida de sempre, esse sempre que não se vai, esse novo que eu só espero. Sinto que tenho muito a oferecer, muito a fazer. Muitas idéias, mas principalmente, ideais. Resolvi acordar. Já sei o que quero. Tenho objetivos traçados, basta seguir o caminho. Não tenho mais tempo a perder. Estou cansada dos mesmos rostos, deste mesmo cenário em que me sinto presa, mesmo estando livre. Quero que esse hoje seja passado e que o futuro que tanto espero chegue depressa. Mas não depressa demais, quero ter tempo para construir a minha ponte, a minha passagem. Mas isso é só o começo (...) Dizem que não se deve sonhar muito alto, pois maior ainda será a queda. Não me peçam para pensar na queda, penso apenas no momento do vôo. O mundo lá fora é muito grande para os meus medos, mas pequeno demais para os meus sonhos!
           
{Tanmi}
           
'Sinto-me espalhada no ar, pen­sando dentro das criaturas,
vivendo nas coisas além de mim mesma.
Quando me surpreendo ao espelho não me assusto
porque me ache feia ou bonita.
É que me descubro de outra qualidade.
Depois de não me ver há muito quase esqueço que sou humana,
es­queço meu passado e sou com a mesma libertação de fim e de
consciência quanto uma coisa apenas viva.
Também me surpreendo, os olhos abertos para o espelho pálido,
de que haja tanta coisa em mim além do conhecido,
tanta coisa sempre silenciosa.'
           
{Clarice Lispector}

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Mudança de comportamento

Andam dizendo que mudei (...) Não mudei, continuo sendo a mesma, só não estou igual em tudo. Tenho os mesmos medos, mesmas manias e fraquezas, só não deixo mais que superem meus sonhos e vontades, que me derrubem ou me ponham para baixo. Estou me permitindo mais, me arriscando mais, me permito inclusive ao erro. Não dá para ser sempre certa, fazer tudo certo. Para quê? Há pessoas que não dão o devido valor, que simplesmente não se importam e, às vezes nem notam tamanho esforço. Não sou perfeita, nunca fui e decidi parar de tentar ser. Parar de me cobrar ou de ceder à cobrança dos outros. Tenho agido mais por impulso, antes pensava tanto que as oportunidades passavam sem que me desse conta. Falo o que tenho vontade, não coisas que ofendam ou magoem os outros, mas que me libertam. Rio quando falo ou faço besteira, antes morria de vergonha. Danço, pulo, canto, grito. E nem por isso perco o controle. Também não deixei de ter pudor. Sou a menina de sempre. Porém menos ingênua e mais decidida. Mais espontânea (...) Posso rir ou chorar, mas não fico inerte, em estado permanente. Aproveito o momento. Comecei a me importar mais com o interior do que com o exterior. Em estar bem, não só parecer bem. Prefiro a mim do que aos outros. Descobri que sou minha melhor companhia, pois se os outros são importantes, eu sim, sou essencial. Intensifiquei o verbo viver!
         
{Tanmi}

'Sobretudo um dia virá em que todo o meu movimento será criação,
nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim,
provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo
o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio,
erguerei dentro de mim o que sou um dia,
a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas,
água pura submergindo a dúvida, a consciência,
eu serei forte como a alma de um animal
e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas,
não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade,
não o passado corroendo o futuro.
O que eu disser soará fatal e inteiro!'
     
{Clarice Lispector}

domingo, 29 de junho de 2008

Onisciência

Abstração que se fez concreta. Teoria que se tornou prática.
Palavra que se fez verbo.
Pensamento e ato. Ação e reação.
Fatos narrados e também participados.
Conhecer ou parecer entender.
Análise, interrogação.
Por que parece tão mais fácil
Entender os outros personagens?
Seria o ser humano uma incógnita?
Ser a si próprio e
ao mesmo tempo não ser ninguém.
Ser uma parte do mundo e um todo de si.
Viver em eterna busca para então
Aprender a viver e encontrar a felicidade.
Desvendar - se. Procurar respostas
Mesmo sendo impossível ter resposta para tudo.
Mas o que seria o impossível?
Aquilo que ainda não se descobriu possível.
No fundo, cada pessoa é uma concreta abstração.
Porque se desmancha do que é real
Para se tornar uma idéia.
E dessa idéia é que surge a razão!
             
{Tanmi}

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Caminhos

Anda para frente
E não sabe onde isso leva
Volta para trás já com medo de seguir
Direita ou esquerda?
Qual será o seu caminho?
Volta para trás, já se sente tão sozinho
São muitas curvas
Onde vai parar?
Tantos caminhos
Mas destino não há
Só mais um passo
E não sabe onde isso leva
Tenta correr
Logo percebe que erra
Volta para trás
A vida é mesmo assim
Anda para frente
Mas o caminho não tem fim
Não sabe onde ir
Tem medo de andar
Volta para trás
Dá vontade de chorar
E aquele medo de seguir
Mostra que não sabe
Onde é o seu lugar!
 
{Tanmi}

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O eu lírico

É estranho tentar escrever um texto
e se sentir sempre tão preso
a um 'eu lírico' que não tem fim.
Parece que as palavras escapam
e as rimas se embolaram
por entre os dedos escorrendo
não era para ser um poema,
mas se do lápis é o desejo
a mão é só um instrumento.
E surgem pronomes
sempre em primeira pessoa,
verbos conjugados,
versos que vêm à toa.
Enfim EU termino o texto,
vejo que é um poemeto
então resolvo me render...
Pois se era para ser assim,
é assim que tem que ser!

{Tanmi}