Alçar vôos mais altos. É o que eu quero. Não tenho problemas dos quais fugir, desavenças e desamores já não importam. Não vou lamentar arrependimentos ou olhar para trás. Vou seguir em frente sem pensar, ou só pensar no que virá. Sonhos embutidos em pensamentos, ansiosos em ser realizados. Há muito tempo tenho estado impaciente, inquieta. Cansada da rotina, da mesmice, do igual. Eu quero um algo a mais. Às vezes chego ter raiva de mim mesma. Raiva por me deixar relaxar, por não agir, por continuar um ciclo que já devia ter sido encerrado. Minha mente vai mais além (...) Além desse lugar, dessa vida de sempre, esse sempre que não se vai, esse novo que eu só espero. Sinto que tenho muito a oferecer, muito a fazer. Muitas idéias, mas principalmente, ideais. Resolvi acordar. Já sei o que quero. Tenho objetivos traçados, basta seguir o caminho. Não tenho mais tempo a perder. Estou cansada dos mesmos rostos, deste mesmo cenário em que me sinto presa, mesmo estando livre. Quero que esse hoje seja passado e que o futuro que tanto espero chegue depressa. Mas não depressa demais, quero ter tempo para construir a minha ponte, a minha passagem. Mas isso é só o começo (...) Dizem que não se deve sonhar muito alto, pois maior ainda será a queda. Não me peçam para pensar na queda, penso apenas no momento do vôo. O mundo lá fora é muito grande para os meus medos, mas pequeno demais para os meus sonhos!
{Tanmi}
'Sinto-me espalhada no ar, pensando dentro das criaturas,
vivendo nas coisas além de mim mesma.
Quando me surpreendo ao espelho não me assusto
porque me ache feia ou bonita.
É que me descubro de outra qualidade.
Depois de não me ver há muito quase esqueço que sou humana,
esqueço meu passado e sou com a mesma libertação de fim e de
consciência quanto uma coisa apenas viva.
Também me surpreendo, os olhos abertos para o espelho pálido,
de que haja tanta coisa em mim além do conhecido,
tanta coisa sempre silenciosa.'
{Clarice Lispector}
