
A felicidade perguntou como eu estava.
O que eu respondi?
Nem a reconheci...
(Tanmires)

"Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço (...)"
{Mário Quintana}
Sempre achei que escrevendo estaria me libertando e me redimindo por coisas não ditas e pensamentos silenciados... Hoje, percebo que para me libertar tenho que parar de escrever - por um tempo - e começar a viver. Tenho que transformar palavra em verbo, pensamento em ação e rever meus conceitos. Devo me despedir dessa vida de distrações mal-elaboradas e me reinventar, agir. Antes me via como um pássaro de asas cortadas preso na gaiola do destino... Hoje sou ave liberta, estou livre. Livre de quê? O que consegui? Não sei bem. Talvez coragem para encarar a realidade de frente sem me deixar abater e seguir.

Procuro em quem pôr a culpa. Insisto em achar um culpado, para desviar-me de uma culpa que talvez seja só minha, ou não, acho que acabo me maltratando. Sinto-me responsável por tudo o que acontece ao meu redor, como se eu precisasse exercer um certo controle, para que nada fugisse das minhas mãos. É tudo tão complexo. Ter o complexo da culpa, sem ter culpa de nada.
Meu sorriso é espontâneo e inocente
Um dia estarei inerte, imóvel, intocável
Você já se perguntou se é feliz? Se a sua vida é completa, se os seus dias são satisfatórios... Eu sempre sinto que me falta algo para ser feliz. Se o meu dia foi bom, vou dormir tranquila, se não foi, mal consigo encostar no travesseiro. É impressionante como apenas um fato é capaz de mudar o meu dia completamente. E é dessa sucessão de fatos que eu penso - ou pelo menos pensava - que a felicidade é feita. Acreditava que um dia eu olharia para trás e, vendo a minha vida passar como num filme, pesaria na balança todos os momentos, bons e ruins, para ver quais prevaleceriam. Enfim eu saberia se fui feliz. Mera ilusão! Então seria isso que decidiria toda a busca de uma vida? A resposta é não! A vida - minha, sua ou de quem for - não pode ser pesada numa balança, como se fosse uma mercadoria. O que realmente importa não é a quantidade de momentos felizes ou tristes que você teve em sua vida, mas quais deles tiveram um maior significado. Esse sim é o verdadeiro peso da felicidade, que não se pesa, nem se mede, mas se sente!
Quando ela olha para as fotos, o que sente mais saudade é de sua infância. Época em que não queria ser mais ninguém além de si mesma, mais nada além de feliz e onde a única vida que ela imaginava era a de sua boneca. Mas a boneca deu lugar a menina, que hoje já é quase uma mulher. A casa de bonecas desmoronou, mas ainda está em sua memória, porém é só mera lembrança de uma fase que passou... Quando seu mundo de ilusão deu lugar à realidade.
Um amor eterno que se perde na eternidade da indiferença